segunda-feira, 2 de novembro de 2009

POLEM 2 ANOS!

É isso aí pessoal! Não se faz 2 anos todo dia, então gostaríamos de chamar todos vocês para nossa festa, que rola nesta quarta-feira, dia 4/11, e teremos atrações que vão dar um toque especial!

+NOITE DO TERROR (poemas de Augusto dos Anjos, Baudelaire, Biron, Cruz e Souza, entre outros, além dos nossos poemas da gaveta!)
+JACKSON SALA lançando seu DVD Coração chacinado e livro de poesias (com direito a autógrafos!)

Venha participar de nossa pelada, traga seus poemas e os dos autores que se encaixem no tema da noite (vai ser divertido se todos compartilharem!)

Esperamos vocês lá a partir das 19 horas! Lembrando que, tradicionalmente, às 20 hs, teremos nossa leitura semanal do livro Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa, feita pelo Eduardo Tornaghi!

NÃO PERCAM!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Impressões 14/10/09

Olá, amigos! Na última 4ª. Feira, 14/10, o homenageado em nossa Pelada Poética foi Manoel Virgílio, um craque dos sonetos. Foi uma noite de romantismo e irreverência, e tivemos o prazer de receber diversos amigos poetas. Além de nossas tradicionais brincadeiras, como as Rapidinhas do Polem, e Um Leminski pede três, demos prosseguimento a uma novidade que começou há duas semanas: toda 4ª. Feira, Eduardo lê um trecho de “Grande Sertão: Veredas” de Guimarães Rosa. Um prazer imperdível para quem sabe apreciar boa literatura. E, pra fechar o post de hoje, dois sonetos do nosso homenageado:





Eu

Eu sou, apenas, de um todo, uma parte
E nada neste mundo, nunca mudo.
Sozinho sou somente um encarte,
Um sócio sem gerência nesse tudo.

Eu guardo, em mim mesmo, meu sentir,
Procuro ser diverso em meu querer.
Se tenho o direito de ir e vir
Contudo, me é negado o de ser.

Eu sou somente um grão na enxurrada,
Na água que se move em turbilhão,
Que leva de roldão, tudo em arrastão.

Eu sou quem tudo quer, mas não tem nada,
No ciclo da existência programada,
Apenas um ser a mais na multidão.




Somente as tuas roupas


Retire tuas roupas lá de casa.

A blusa que te dei e que eu gostava.

Aquela de tecido transparente

que os seios, os tornava aparentes.


E leve a mini-saia que mostrava

as pernas tão gostosas, quando andavas.

Não deixes a calcinha bem cavada

Que pouco escondia, revelava.


Também leve o batom sabor maçã

Que, beijos, transformava em coisa sã.

Não esqueças, do teu banho, a tua touca!


Porém, de lá não tires, por favor,

O que, em minha casa, têm valor:

Teus seios, tuas pernas, tua boca!


terça-feira, 6 de outubro de 2009

Impressões dia 16/09

No Polem do dia 16/09 tivemos a apresentação NIVALDO COSTA INTERPRETA FERNANDO PESSOA. Com uma atuação que misturava intensidade e leveza, além de um figurino cuidadoso e boa seleção de poemas, este ator abrilhantou nossa noite com trechos de um espetáculo que ele apresenta a 15 anos por todo o Brasil. Além disso, tivemos, como sempre, a participação de velhos amigos e vozes estreantes, numa verdadeira festa de poesia onde, como dizia Oswald de Andrade, “a alegria é a prova dos nove”.








Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis



XIV - Não me Importo com as Rimas

Não me importo com as rimas. Raras vezes
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
Penso e escrevo como as flores têm cor
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior
Olho e comovo-me,
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,
E a minha poesia é natural corno o levantar-se vento...

Alberto Caeiro



Ah, um Soneto...

Meu coração é um almirante louco
que abandonou a profissão do mar
e que a vai relembrando pouco a pouco
em casa a passear, a passear ...

No movimento (eu mesmo me desloco
nesta cadeira, só de o imaginar)
o mar abandonado fica em foco
nos músculos cansados de parar.

Há saudades nas pernas e nos braços.
Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaços.

Mas — esta é boa! — era do coração
que eu falava... e onde diabo estou eu agora
com almirante em vez de sensação? ...

Álvaro de Campos



Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer !
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não !
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

NOVIDADE: POLEM agora no youtube!

Agora o POLEM tem um canal no youtube! 


Para começo de conversa, eis que está disponível no canal do POLEM o vídeo da noite de Lançamento do Livro Matéria de Rascunho, realizado na Letras e Expressões de Ipanema em 1° de Setembro. Curtam-no!